domingo, 27 de dezembro de 2009

The Darkness - Permission To Land


Confesso que senti certo repúdio ao fazer a primeira audição de Permission To Land, do The Darkness.
Os vocais exagerados e a afetação davam um tom de brincadeira, que a coisa ali não era para ser levada a sério.
Mas livre de idéias pré-concebidas, pude perceber que aquele álbum tinha muitos momentos de puro brilhantismo.
O lançamento de Permission To Land se deu em 2004. Era o disco de estréia do The Darkness.
Os irmãos Justin Hawkins (vocal/guitarra) e Dan Hawkins (guitarra) nasceram em Suffolk, na Inglaterra. Eram eles o coração do grupo. Compunham a banda ainda Ed Graham (bateria) e Frankie Poullain (baixo).
Riffs e solos com uma forte pegada hard rock (coisa raríssima nessa década) compõem o disco em sua totalidade. Mas a característica mais marcante sem dúvida são os vocais de Justin Hawkins. Sempre altos e em falsete eram impresionantes. Engana-se quem imagina que a performance caia nas apresentações ao vivo. O resultado era o mesmo. Não é a toa que nessa época o The Darkness chegou a abrir shows para os Rolling Stones e Aerosmith.
As duas primeiras faixas de Permission To Land são pedradas certeiras nos ouvidos. Black Shuck e Get Your Hands Off My Woman são um uma demonstração clássica de rock pesado com aquele apelo pop que infelizmente ficou no passado.
Segue algo mais melódico com Growing On Me. A ótima I Believe In A Thing Called Love chega a perfeição ao conseguir colocar todos os elementos de uma boa música de rock, com instrumental acima da média, vocais incomuns e assim mesmo ser radiofônica, em tempos que o rock perdeu espaço para o rap e R&B romântico (???) nas fm´s.
Love Is Only A Feeling o The Darkness chega a inevitável balada. mas sem descaracterizar a essência da banda.
Em Givin´Up, o hard rock com toques de safadeza e escracho volta a dar as caras. Sinto falta disso nos tempos atuais.
Stuck In A Rut mantém o pique de Pemission To Land. assim como as faixas que vão dando fim ao álbum (Friday Night, Love On The Rocks With No Ice e Holding My Own).
Permission To Land tem muitos méritos, que o fazem ser um dos mais memoráveis registros dessa década. A coragem do grupo em fazer algo incomum, com vocais em falsete, letras recheadas de palavrões, mas que em nenhum momento sendo algo gratuíto, como nos costumamos (infelizmente ) a ver/ouvir nas rádios em músicas dos mais diversos estilos, e resgatar um pouco o que foi o glam rock dos anos ´70 e ´80.
O vocalista Justin Hawkins em 2006 se internou numa clínica de reabilitação. Antes em 2005, o grupo lançou One Way Ticket To Hell. Fraco e decepcionante, sabendo do potencial do The Darkness.
Vale a pena ouvir de novo Permission To Land, e apreciar sua forma única de rock nessa década.
Confira no youtube:

domingo, 6 de dezembro de 2009

Jet -Get Born


Outra excelente banda australiana surgida na primeira metade dessa nova década foi o Jet.
Formada pelos irmãos Nic e Chris Cester (voz/guitarra e bateria respectivamen te) , Cam Muncey (guitarra e vocais) e Mark Wilson (baixo), a banda apostava em um rock com total influência dos grandes nomes do estilo (The Rolling Stones e Beatles).
A estréia oficial ocorrreu em 2003 com Get Born, pela gravadora Elektra.
O álbum abre com um tema rápido e empolgante, Last Chance. O vocalista Nic Cester abre os pulmões como se não houvesse amanhã. Estilo esse que se manteve em todo o play.
O campo estava aberto para para Are You Gonna Be My Girl. Maior sucesso comercial da banda até os dias de hoje (chegou inclusive a ser trilha de um comercial para tv), essa música era o claro cartão de amostras e poder de fogo do Jet.
Rollover DJ mantém o pique. O rock de Get Born era simples, empolgante e até mesmo dançante. Poucos discos conseguem tais denominações com tanta maestria.
Depois de três músicas energéticas e de tirar o fôlego, vem a inevitável rock ballad. Look What You´ve Done não é somente uma música com forte apelo radiofônico, e sim uma música de beleza ímpar. Vocais calmos seguidos por um belo piano e uma bateria forte e marcante são os destaques da melodia.
Get What You Need tem uma levada com certo groove e ar sacana. Belo rock.
A banda dá outra desacelerada em Move On. Outra balada com toques de country music. Os vocais sempre bem colocados merecem destaques . Radio Song a banda segue calma, sem injetar as tradicionais doses de rock energético que o grupo vinha destilando.
A testosterona volta dar as caras em Get Me Outta Here. Rock and roll no melhor estilo. Rápido acompanhado por um piano esperto.
Cold Hard Bitch poderia ser uma música de seus conterrâneos australianos, o AC/DC. Riffs e levada maliciosas. Ótima!
Come Around Again, a décima música vem no rítmo de balada também. Bonita melodia, acrescentada pelo piano mais que especial de Billy Preston (Beatles e Stones). Aliás, Billy toca também em Rollover DJ.
O clima volta a esquentar em Take It Or Leave It. Assim como no início de Get Born, o rock rápido e empolgante volta a dar as caras.
Lazy Gun mostra um lado até então desconhecido do Jet. Ar descompromissado e com certo ar psicodélico. Grata surpresa!!
Timothy é melancólica e preguiçosa. Talvez o único deslize de Get Born.
O disco vai chegando ao fim com Sgt. Major. Um rock bacana que em certos momentos chega a lembrar melodicamente Go Let It Out do Oasis (excelente referência!!). Todos os elementos que caracterizavam Get Born com vocais bem colocados, bateria com forte pegada, bons riffs e piano estão presentes.
Vale a pena ouvir de novo Get Born do Jet sem dúvida, ainda mais depois que seu mais recente disco Shaka Rock é um amontoado de canções sem maiores inpirações. Indico também Shine On, de 2006, onde a banda ainda demonstava fôlego para bons rocks.
Veja no Youtube: