domingo, 11 de julho de 2010

Coldplay - A Rush Of Blood To The Head


Para muitos a prova definitiva de um artista é o segundo trabalho. Afinal, com o primeiro ele teve tempo e não teve pressão ou expectativa externa, além do dinheiro envolvido no showbiss.

O álbum de estréia do Coldplay é repleto de hits, e consequentemente um grande sucesso de público . O Coldplay lançava Parachutes em 2000, atingindo milhões de cópias, e procurando se firmar no mercado com sua letras e músicas de sensibilidade e beleza ímpar.

Em agosto de 2002, seguia o sucessor de Parachutes. A Rush Of Blood To The Head chegava ao mercado. Seria o Coldplay capaz de ao menos igualar o ótimo album de estréia?

Não demorou a se perceber que a resposta além de ser positiva, ia além da questão e possível desconfiança .

O primeiro single (e segunda faixa do álbum) In My Place, supera as expectativas e dúvidas quanto ao poder do Coldplay de se manter no topo do rock e ainda manter sua integridade artística. Seguindo suas características, ou seja, os vocais limpos e melódicos, acompanhados do piano de Chris Martin, bateria marcante de Will Champion,junto do baixo de Guy Berriman e a guitarra no ponto e medidas exatas de Jon Buckland, In My Place foi um hit certeiro.

A música que abre o disco Politik, é também um ótimo cartão de visitas ao ouvinte, pois alia ainda outra marca registrada da banda, os vocais ora sussurrado, ora forte de Chris Martin.

A terceira faixa God Put A Smile On Your Face, é uma das mais intrigantes do disco, e mais belas do grupo. O Coldplay mostrava-se mais maduro e claro na transposição de suas idéias.

A faixa seguinte, The Scientist é uma emocionante música, ilustrado brilhantemente com um vídeo clip promocional de impressionar e até chocar o mais desavisado e sensível ouvinte. O piano de introdução,logo acompanhado pelo vocal marcam o início. Por volta do segundo minuto, violão, baixo e bateria completam a melodia. .

Logo vem Clocks. Outro sucesso desse grande disco. Interessante notar que além de grandes compositores, os membros do Coldplay são ótimos músicos, destaque mais uma vez para Chris Martin, que além de imprimir o estilo da banda no ouvinte, com seus vocais únicos, se mostra um ótimo pianista.

Pode-se dizer que essas cinco primeiras músicas definem A Rush Of Blood To The Head. Nas faixas seguintes, como Daylight, Warning Sign, a faixa título e Amsterdam, o Coldplay não arrisca, mas ainda mostra força nas canções. Somente Green Eyes ainda tenta mostrar algo diferente do que a banda vinha fazendo. Com sua levada acústica, que se não fosse por Chris Martin, seria facilmente confundida com alguma canção country americana e A Whisper (um rock certeiro) tentam fugir do esquema piano-vocal-e-resto-da-banda-acompanhando .

O Coldplay se mantém firme em suas características próprias, e apesar de soar óbvio e previsível, em muitos momentos ainda surpreende por sua beleza.

Em 2005 a banda lançava X&Y, e em 2008 saía Vila La Vida Or Death And All His Friends. Não mostrou nada mais impactante, mas se firmou num dos maiores nomes do rock nesta primeira década do novo milênio, para alguns rivalizando somente com os irlandeses do U2.

Vale a pena ouvir de novo A Rush Of Blood To The Head,e se encantar com um dos trabalhos mais adultos e sofisticados do pop dos últimos dez anos.
Confira no youtube:

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Incubus - Morning View

Lançado em 23 de outubro de 2001, Morning View da banda Incubus, era o primeiro álbum realmente impactante do novo milênio.

Esse já era o quarto disco da banda californiana. Inicialmente apostava num conceito alternativo, alternando metal e rap muitas vezes, e na maioria de uma forma agressiva e despreocupada.

O direcionamento musical para algo mais elaborado se deu início em Make Yourself de 1999.

O Incubus ainda se posicionava numa difícil forma de ser rotulado, mas musicalmente atingiu o auge artístico com seu Morning View.

Além de possuir a formação clássica de uma banda de rock, o Incubus conta com um DJ, que no caso de Morning View, era o DJ Kilmore. Aí estava a grande diferença, e o detalhe do som único do Incubus.

O disco abre com Nice To Know. Um excelente cartão de visitas, que mostrava quais seriam as regras ditadas pelo Incubus ao longo do cd. Levada rítmica acelerada, groove irresistível, refrão fácil, conduzida por uma banda inspirada.

Assim seguem as ótimas Circus e Wish Were Here.

Em Just A Phase a primeira quebrada no andamento. Também era algo normal para o grupo. Clima leve e ao mesmo tempo atordoante, graças as intervenções precisas e fundamentais de DJ Kilmore, e aos vocais sussurrantes em boa parte da música de Brandon Boyd, que culminava em gritos fortes e inesperados no final.

Em 11AM a fórmula da calmaria se repete. Música hipnótica, com um conteúdo lírico de puro poema urbano.

Na sexta faixa, Blod On The Ground, a pegada mais agressiva volta dar as caras.

Na faixa Mexico, é sugerido um tema mais sensível e emotivo. Arranjo orquestrado e Brandon dando mais uma aula de interpretação. Assim também é Warning.

Outro exemplo de como o Incubus conseguia realizar algo único de bom gosto, a faixa Echo exalava beleza por cada nota tocada.

Os ouvidos já pareciam estar desacostumados com um rock mais pesado, até que aparece Have You Ever. É uma daquelas músicas marcantes, com destaque para o baixo distorcido que conduz toda canção.

Na décima primeira música, o Incubus chegava em minha opinião ao ponto máximo de Morning View. Are You In, todos os elementos de uma música perfeita para uma festa mais íntima estavam contidos num só tema. Leve e sexy, ótima para um casal dançar grudado, sem espalhar glicose aos ouvidos, sem resquícios de algo forçado para parecer belo. Naturalmente perfeita.

Dando uma quebrada, Morning View vai para Under My Umbrella. Aqui se resume bem a dinâmica do Incubus em Morning View. Alternando agressividade e melancolia em um outro trabalho de conteúdo lírico interessante.

Fechando esse magnífico disco, vem Aqueous Transmission. Somente o Incubus poderia fazer um tema como esse, que tem elementos de música que parece ter vindo de algum mosteiro budista, em um tema pop.

Diversidade. Esse foi o lema que o Incubus proferiu em Morning View.

A banda lançou ainda A Crow Left Of The Murder em 2004, Light Granades em 2006, e uma coletânea ano passado. O grupo ainda mostra fôlego, mas Morning View é uma obra-prima que parece ser insuperável.

Vele a pena ouvir de novo Morning View, e ainda achar detalhes em cada audição desse grande disco!

Veja no youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=QXMFEvwwfoM

http://www.youtube.com/watch?v=AtB-YN03XDg

domingo, 3 de janeiro de 2010

Black Tide - Light From Above


Sempre que surge uma nova banda formada por garotos no cenário do rock pesado, com personalidade e boas composições, surge também aquela sensação de que nem tudo está perdido no meio musical desse gênero.
Quatro jovens oriundos de Miami (Gabriel Garcia - guitarrista principal e vocalista, Alexander Nuñez - guitarrista base, Zachary Sandler- baixista, e Steven Spence - bateria), todos de origem hispânica formaram a line up do Black Tide , quem 2008 lançava seu disco de estréia, Light From Above.
O Black Tide não queria reinventar o estilo, nem tampouco acrescentar alguma novidade marcante. O disco Light From Above ao contrário, é bem pouco ousado. Mas isso não o descredenciava de ser um dos grandes álbuns de heavy rock dos últimos anos.
Convenhamos, os fãs do estilo são pouco apegados a invencionices, ou algo muito moderninho.
O grande mérito do Black Tide é exatamente esse. Oferecer aquilo que os ouvintes fãs querem ouvir, com personalidade e boa técnica, sem pretensão de soar único.
O cd Light From Above abre com um tema que já pode ser considerado um hino. Shockwave é perfeita para ser cantada em iníssono em uma arena. Um rock com todos os ingredientes de um clássico. Desde a introdução, passando pelo refrão e solo. Rápida e matadora!
Em Shout, assim como em boa parte do trabalho, Gabriel Garcia brilha. Um talento acima da média, tanto como guitarrista, tanto como vocalista.
Uma das poucas vezes que o Black Tide resolve se arriscar, é em Warriors Of Time. Na introdução desse tema, temos um violão que parece ter saído dos Andes.
Nos demais números de Light From Above, a banda segue a cartilha pregada por eles mesmo. Velocidade nos instrumentos, refrões inspirados e boa técnica.
Duas observações ainda valem ser ditas. O grupo não toca nenhuma rock balada, e fez um cover inspiradíssimo de um de seus heróis, o Metallica, com Hit The Lights.
O Black Tide merece todos os méritos por serem jovens e mostrarem aos grupos mais velhos que parecem acomodados, que fazer um grande álbum de rock pesado, não é necessariamente inventar histórias fantasiosas, ser brutal nas melodias, ou se apegar a temas repetitivos. Basta ter boas composições, garra e força de vontade.
Vale a pena ouvir de novo Light From Above do Black Tide no último volume. Metal up your ass!!
Confira no youtube: