
Estamos na segunda metade da década de 90. O rock/metal sempre mostrando uma nova faceta, se re-inventando, mostrando o porquê do estilo nunca cair no esquecimento, pelo contrário, sempre estando em evidência, seja qual for tendência no momento.
A tendência naquele momento era o chamado rock/metal alternativo. Um som que a princípio era difícil de fazer uma descrição, mas com a popularização das bandas de Seattle, convencionou-se chamar de “Grunge”. Nunca entendi bem qual o real significado desse termo, pois nunca vi semelhança alguma entre seus maiores expoentes, como Pearl Jam, Nirvana, Alice In Chains e Soundgarden.
Nesse cenário, o vocalista Bruce Dickinson lançou seu terceiro e até hoje mais incompreendido trabalho.
Lançado em fevereiro de ´96, Bruce Dickinson foi fundo em mais uma nova aposta em sua carreira solo. Recrutou os músicos que o acompanharam em sua turnê anterior, do álbum Balls To Picasso.
Na parte técnica, o produtor foi o mesmo de algumas bandas que estavam no ápice de suas carreiras no cenário alternativo (Soundgarden, Therapy?, L7, Mudhoney e Nirvana), Jack Endino. Para a belíssima capa, foi recrutado Storm Thorgerson, que trabalhou com artistas históricos como Pink Floyd .
O resultado foi Skunkworks. Um grande disco, o mais ousado de Bruce sem dúvida. Técnicamente ele continua perfeito em sua performance como vocalista, e a banda está a altura de sua categoria. A banda segundo Endino disse em uma entrevista, não conseguia chegar a um acordo com relação ao direcionamento do álbum. Parece que Dickinson não queria correr muitos riscos e fazer algo mais tradicional, mas seus colegas não, queriam algo mais atual, diferente. Apesar de ser sua banda, Bruce não quis atuar como um ditador e a coisa desenvolveu-se pelo lado dos músicos, sempre guiado por Jack Endino que conhecia bem aquele caminho.
O álbum tem ótimas canções e o resultado apesar de controverso para muitos foi muito bom. Canções como Space Race, Back From The Edge, Inertia, Faith e Inside The Machine formam um grande leque de boas músicas. É impossível fazer uma crítica mais severa a essas músicas ouvindo-as com a atenção que elas merecem.
No fim entretanto, parece que até mesmo Bruce Dickinson não ficou muito satisfeito com a recepção do trabalho, dando uma guinada para sua zona de conforto nos álbuns seguintes de sua carreira solo, inclusive recrutando seu velho companheiro de Maiden, o guitarrista Adrian Smith.
Antes de mais nada, vale a pena ouvir Skunkworks livre de qualquer idéia pré-concebida, pois trata-se de um belo disco, ousado e com uma produção soberba.
Formação:
Bruce Dickinson (vocal)
Alex Dickson (guitarra)
Chris Dale (baixo)
Alessandro Elena (bateria)
Alguns sons desse álbum:

Nenhum comentário:
Postar um comentário